31 de julho a 2 de agosto 2026

Parque de Exposições de Salvador

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Do grafite aos jogos: como “Bigod” forjou a sua trajetória artística no mundo dos games

por Voah Comunicação | Gamepólitan, Especiais

Jocivaldo Santos Silva, o “Bigod”, construiu uma trajetória que começou com ilustrações e grafite e foi parar na criação de jogos espalhados pelo mundo.

Jocivaldo Santos Silva, o “Bigod”, 44 anos, sempre foi um menino que tinha os pés no chão, mas a cabeça voltada para o mundo das ilustrações e dos desenhos. Desde muito novo, ainda na escola, o jovem “nascido e criado em Salvador, com o umbigo enterrado na Cidade Baixa”, era daquele tipo de criança que se expressava através dos traços e que construía um mundo seu, que parecia bem mais interessante do que a vida real.

“Como todo iniciante do desenho, como todo iniciante da arte, eu era aquele que ficava na escola desenhando nas carteiras, porque achava a aula de arte chata demais, não gosta de ficar fazendo coisas com transferidor e régua”, explica.

Em 1998, na fase final da adolescência, ele é apresentado ao grafite e, com ele, uma nova porta lúdica se abre. Ele, que já construía as capas de todos os trabalhos de escola e desenhava os personagens de Street Fighter, Mortal Kombat, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e animes percebeu que, com as tintas, novas cores poderiam ser acrescentadas à sua vida e, claro, à sua arte.

“Conheci o grafite isolado, não como parte do movimento hip-hop, o que eu só fui aprender mais tarde, mas fui apresentado de cara ao grafite. Então, para mim, ele surgiu com uma luva, porque a gente nunca teve uma aula de arte assim na escola, saca? Eu nunca tinha usado tinta”.

A paixão pelos videogames, pelo mundo lúdico dos jogos, pelas ilustrações, seus personagens e desafios já existia e todo esse caldeirão cultural passou a semear a mente do rapaz que amava criar personagens, cenários e histórias. 

Através de um padrinho, de quem “Bigod” era próximo, foi possível ter contato com um Atari pela primeira vez. Foi a partir dali que ele começou a aprofundar a sua paixão por “desenhos de televisão que você podia controlar”. 

A esse mundo mágico descoberto na casa do padrinho se juntou uma coleção de revistas da Disney, Turma da Mônica e Tio Patinhas. A paixão foi tanta que ele passou a ir frequentemente à casa dele para devorar tudo o que estava disponível e, a partir daí, a história não parou mais.

"Bigod": do grafite aos jogos
"Bigod" passou de desenhar nas carteiras das escolas, para espalhar sua arte pelo mundo. Crédito: Divulgação Instagram "BigodoSapo"

Sem condições financeiras para adquirir os produtos, ia às locadoras para conhecer os lançamentos, se encantar com os encartes, analisar os traços. Foi desse jeito que ele conheceu o Nintendo e o Master System, consoles muito populares nas décadas de 1980 e 1990 e também passou a beber na fonte de ilustradores que virariam referências para toda vida.

“Eu comecei a colecionar as revistas de videogame, como a Super Game Power, e começava a tentar seguir os traços dos desenhistas, dos ilustradores, e ficava na minha mente se no futuro eu conseguiria trabalhar, né? Se eu conseguiria ir pro lado dos games com ilustração, ou com modelagem 3D, que era uma parada que eu também curtia”.

O grande problema para “Bigod” e para todos que queriam se aperfeiçoar na área é que, nesta época, cursos de 3D voltados para jogos eletrônicos não eram tão comuns e a maioria, para não dizer todos, só era disponibilizada no Sul/Sudeste do país. 

A situação muda com a chegada da Escola de Art, Games e Animação (SAGA), em meados dos anos 2000. 

“A partir daí apareceram os cursos de Photoshop de After Effects e no final tinha o curso de 3D ainda bem raso, mas isso fez a gente enxergar o mercado chegando perto da gente. Isso foi misturando tudo: a paixão pelos games, com a ideia de você já querer entender como é feito, qual é o papel dos ilustradores dentro do mercado, quais são as áreas do DEV dentro de um estúdio”. 

 “Bigod” e a Game Jam: a entrada definitiva para o mundo dos jogos eletrônicos

Analisando os detalhes dessa história hoje, parece muito simples e natural que esse artista tenha se estabelecido no universo dos jogos. Mas a vida é cheia de surpresas e significados que não são tão óbvios, especialmente para quem a protagoniza.

Foi através de uma Game Jam, evento em que desenvolvedores de jogos se reúnem para criar um jogo do zero em um período curto e determinado, organizada pela BIND no campus da UFBA, em Ondina, que as portas para o mundo dos games se abriram definitivamente.

Na oportunidade ele conheceu Danilo Dias, também ilustrador. Além de conhecer um universo que ele não imaginava que existia em Salvador, essa conexão fez com que “Bigod” fosse apresentado pelo amigo a Filipe Pereira e Victor Cardozo, que atualmente são CEO e diretor de arte da Aoca Game Lab, empresa baiana de produção de jogos.

"Bigod": do grafite aos jogos
"Bigod": além do sapo, que leva no nome, a carraca é também uma de suas marcas registradas. Crédito: Divulgação Instagram "BigodoSapo"

“Lá eu acabei conhecendo eles, falei que eu gostava muito de ilustrar, de desenhar, e foi muito massa ali conhecer um pouquinho do início da galera. A partir dali eu comecei a me interessar mais e acho que nesse momento começou essa fusão de um artista de rua, artista do grafite, que sempre se interessou por games e por ilustração, se aproximando da galera do mundo dos games”. 

Atualmente contratado pela Aoca, ele trabalha como “concept artist”, ou artista conceitual, em tradução livre. Basicamente, ele recebe os textos com tudo o que o diretor de arte precisa para compor o jogo e começa a criar a parte visual do que vai para a tela. 

“Tudo o que tem a ver com ilustração, o concept art de cenário, criação de personagem, de asset (elementos do jogos), tudo chega primeiro para mim, para que eles possam visualizar e começar a ter esse caminho real do projeto”. 

Dessa mente criativa e junção de talentos que surgiu a franquia ÁRIDA, projeto que está na sua segunda etapa, o ÁRIDA 2, e estará disponível para fãs e jogadores no Gamepólitan, maior festival de cultura lúdica e digital da Bahia, que acontecerá de 31 de julho a 02 de agosto, no Parque de Exposições Agropecuárias, em Salvador. 

Quando reflete sobre sua trajetória e sobre os desafios que o trouxeram até aqui, “Bigod” acredita que uma coisa manteve esse sonho vivo: o amor genuíno pelos traços, pelas tintas e pelo jogo.

"Bigod": do grafite aos jogos
"Bigod": trajetória se confunde com a mente inquieta e sonhos do jovem que nasceu artista. Crédito: Divulgação Instagram "Bigodosapo"

“Uma dica que eu acho importante para quem quiser muito fazer parte desse mundo é primeiro, antes de tudo, gostar da parada mesmo. Eu tiro isso pelo lance do grafite. O que me leva a sair de minha casa, do conforto do meu lar, agarrado com as minhas tintas, para ir pintar embaixo do viaduto? “, reflete. 

O trabalho daquele jovem da Cidade Baixa chegou até a China e fez os russos conhecerem o sertão da Bahia, os dentes das carrancas do São Francisco, ou os desenhos com o sapo, animal que é sua marca registrada. 

A arte levou “Bigod” até a Alemanha e os Estados Unidos e o fez rodar por todo o Brasil. São traços de uma história que ele desenhou com as mãos, a cabeça e, claro, o coração. 

“Isso só acontece quando você ama o que faz. Antes eu era só 2D, só ilustrava. Minha paixão pelos games me fez aprender a modelar com 3D. Eu busquei isso, porque eu amo e quando você curte uma parada, independentemente do mercado, das horas de trabalho, se você curte de verdade o que faz, se faz com o coração, a parada te leva, transporta e flui”. 

E se você conhecer mais sobre o trabalho de artistas baianos como “Bigod” e de gente que constrói o mercado de jogos eletrônicos na Bahia, fique ligado em todas as notícias sobre o evento e acompanhe as nossas redes sociais. 

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