31 de julho a 2 de agosto 2026

Parque de Exposições de Salvador

31 de julho a 2 de agosto 2026

Parque de Exposições de Salvador

“Feito na Bahia”: como a Aoca e o Árida trouxeram o sertão para o centro do jogo

por Voah Comunicação | Mercado, Especiais

A Aoca e o ÁRIDA, seu principal projeto, construíram uma linguagem que une tecnologia, humanidade e cultura para narrar as complexidades do sertão. 

A diversidade de ideias que norteia o universo dos jogos eletrônicos atravessa não apenas a variedade de funções ou temas que se pode abordar, mas também a linguagem empregada para isso. Na quinta matéria da série “Feito na Bahia”, vamos mostrar como A Aoca e o ÁRIDA, seu carro-chefe, conseguiram construir um mundo que coloca o sertão nordestino no centro do tabuleiro.

A Aoca Game Lab foi idealizada e fundada em 2016 por Filipe Pereira, CEO da empresa, e já surgiu com o objetivo de reunir talentos para criar jogos que unissem tecnologia, humanidades e cultura - uma abordagem até então pouco difundida na indústria nacional.

“Conseguimos estruturar uma abordagem única no mercado, utilizando mecânicas de sobrevivência para narrar as complexidades do sertão, trazendo uma percepção ímpar sobre a ancestralidade e a oralidade de forma leve, porém com profundo respeito e responsabilidade histórica”, explica Victor Cardoso, diretor de arte líder de marketing da Aoca. 

Atualmente, a empresa conta com uma equipe de 11 profissionais, englobando programadores, game designers, especialistas em QA (Garantia de Qualidade), produção, artistas 2D e 3D generalistas e animadores. 

“Assim como qualquer empresa estruturada do setor, operamos com um modelo híbrido que conta também com serviços e funções terceirizadas estrategicamente, cobrindo as áreas de contabilidade, administração, dublagem e trilha sonora”, ressalta Victor, reforçando uma realidade sobre a qual já falamos por aqui. 

A Aoca e o ÁRIDA: Cícera, o sertão nordestino e suas idiossincrasias 

Aoca e o ÁRIDA
Aoca e o ÁRIDA: segunda etapa do projeto, "Rise Of The Brave", será apresentada no Gamepólitan. Crédito: Divulgação Aoca Game Lab

Quando a gente fala do papel da Aoca e o ÁRIDA, seu principal projeto, é importante ressaltar que o surgimento dessa ideia se deu de forma paralela ao nascimento da empresa. Tudo começa com a concepção do “Projeto Sertão”, no mesmo ano. Este foi o nome provisório utilizado até a escolha definitiva do título ÁRIDA, já em 2018. 

“A franquia ÁRIDA é o nosso projeto de grande escala, cuja construção começou em 2016 e que foi planejado como uma trilogia. A saga acompanha a jornada de Cícera rumo a Canudos, passando-se pouco antes do estopim da histórica Guerra de Canudos”. 

A saga, que desde o início foi pensada para ser construída em três atos, é dividida da seguinte forma:

Aoca e o ÁRIDA
Aoca e o ÁRIDA: já consolidade, primeira etapa da trilogia é um sucesso. Crédito: Aoca Game Lab

“ÁRIDA 1: Awakening” - representa o início da jornada. É onde Cícera aprende as mecânicas de sobrevivência com seu avô, o ex-vaqueiro Tião. Eles descobrem que a mítica "promissão" passou pela região e que praticamente todo o vilarejo partiu em romaria para Canudos, acompanhando Antônio Conselheiro. 

“ÁRIDA 2: Rise of the Brave” - traz o real desafio da protagonista. Aos 13 anos, Cícera adentra o sertão profundo e hostil, enfrentando perigos e cenários completamente diferentes da pacata região onde cresceu. 

“ÁRIDA 3” - etapa que fechará a trilogia, focando na chegada de Cícera ao seu destino após profundos aprendizados, momentos de superação e resiliência.

“Para nós, da Aoca, este ecossistema, que já recebeu reconhecimentos de peso, como o Google Indie Games Fund, é um aceno à história e ao legado dos sobreviventes do sertão. É a nossa forma de valorizar a cultura nordestina por meio de um jogo divertido, interessante e emocionante”, reflete Victor. 

Além disso, ele aponta que a marca já transbordou os limites dos videogames, tendo sido licenciada para livros educacionais e, em parceria com a Editora Europa, resultará no lançamento de livros de arte da série para todo o território nacional. 

A consolidação do projeto ÁRIDA foi a mola propulsora para que novos projetos começassem a ser desenvolvidos e a Aoca já tem um novo caminho em mente, mas eles ainda não revelam muitos detalhes. 

“Temos uma nova propriedade intelectual autoral em estágio de pré-produção. É um grande projeto que também traz uma bagagem histórica muito forte e personagens extremamente carismáticos, mas que explora um contexto completamente diferente do universo de ÁRIDA e do sertão”. 

AOCA e o ÁRIDA: dificuldades do mercado de jogos e o papel do Gamepólitan

Aoca e o ÁRIDA
Aoca e o ÁRIDA: projeto envolveu pesquisa de campo, com equipe mergulhando no sertão nordestino. Crédito: Aoca Game Lab

Criar a AOCA e o ÁRIDA, independentemente do sucesso da trajetória, significou superar obstáculos que se mostram presentes até hoje. Na opinião de Victor, nos últimos anos, os desafios estruturais da Bahia têm se aproximado bastante dos enfrentados por outros estados. 

“Mas o grande gargalo ainda gira em torno de recursos, fomento e investimento de risco. Embora a nossa realidade criativa e de entrega esteja equiparada aos eixos Sul e Sudeste, a proporção dos investimentos públicos e privados ainda é muito desigual”, contextualiza Victor. 

Como exemplo prático, ele aponta que, enquanto editais de fomento como a Lei Paulo Gustavo, em São Paulo, chegam a investir cerca de R$ 1 milhão em um único projeto de jogo, na Bahia esse mesmo montante total precisou ser fracionado para atender a diversas empresas. 

Há também, na opinião de Victor, a necessidade de políticas públicas com diretrizes mais nítidas, que saibam equilibrar o financiamento de novas propriedades intelectuais, a manutenção das empresas que já geram empregos e o estímulo a novos estudantes.

“O segundo grande desafio é a assimetria na cadeia de talentos. Existe um hiato de mercado: faltam mais empresas estruturadas para absorver os novos talentos que saem das universidades e, simultaneamente, faltam profissionais seniores especializados disponíveis localmente para dar a segurança que as empresas existentes precisam para escalar projetos de padrão internacional”. 

E um dos objetivos do Gamepólitan, festival que acontecerá de 31 de julho a 02 de agosto, no Parque de Exposições de Salvador, é justamente esse: unir talentos e estabelecer conexões que, para além do entretenimento, podem ser ampliados para o mercado e mundo dos negócios.

“A Bahia transborda talento criativo e técnico e ter um espaço desse porte na nossa capital para reunir marcas, criadores e a comunidade gamer é essencial. O evento merece e deve fazer parte de um calendário anual fixo e apoiado, a exemplo do que ocorre em outros grandes polos do país”, diz Victor. 

E a Aoca estará presente, apresentando as atualizações do “ÁRIDA 2: Rise of the Brave” no festival, que Victor define como um marco histórico para o ecossistema baiano.

“Queremos que a comunidade de jogadores possa testar, se emocionar e, claro, estaremos lá prontos para conversar, contar curiosidades dos bastidores e trocar ideias com o público”. 

E se você não quer perder nada sobre o Gamepólitan, o ÁRIDA e tudo o que envolverá o maior festival de cultura digital e jogos eletrônicos da Bahia, garanta o seu ingresso para o evento, que acontecerá entre 31 de julho e 02 de agosto, no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador e acompanhe as nossas redes sociais. 

0 Comentários

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Hub de Conteúdo Gamepólitan

garanta seu ingresso!

Quer participar do maior festival de cultura lúdica digital? Clique

Fale com a gente:

Para entrar em contato com a nossa equipe de Conteúdo ou Imprensa, escreva para: adm@voahcomunicacao.com.br