31 de julho a 2 de agosto | 2026

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Impacto tecnológico na formação dos jovens: como o universo digital e dos jogos tem transformado esse processo

por Voah Comunicação | Educação

O debate sobre o impacto tecnológico na formação dos jovens, o uso de telas e jogos eletrônicos normalmente é permeado por uma perspectiva crítica do efeito que as tecnologias podem ter nas vidas de crianças e adolescentes. 

Contudo, a amplitude de possibilidades que estas ferramentas apresentam aponta para caminhos não só mais conscientes, mas também educativos, e isso já tem sido aplicado em escolas e universidades.

Uma das notícias mais recentes do universo acadêmico, por exemplo, foi a da Universidade Oeste, que convidou Gabriel Toledo de Alcântara Sguario, o “Fallen”, um dos principais jogadores de Counter Strike do país, para liderar um encontro virtual com alunos do curso de medicina. 

De acordo com a instituição, a decisão se baseou em estudos científicos que apontam como a experiência com videogames pode contribuir para o desempenho em simulações cirúrgicas, indicando maior precisão de movimentos e menor taxa de erros entre jogadores. 

Impacto tecnológico na formação dos jovens: o que a ciência aponta sobre o tema

Impacto tecnológico na formação dos jovens
O estudo do impacto tecnológico é um dos pilares do trabalho da professora Lynn Alves (foto). Crédito: Paloma Miguez

A curiosidade nos leva a um questionamento: quando se fala em impacto tecnológico na formação dos jovens, quais são os positivos que os jogos eletrônicos podem ter na vida de crianças e adolescentes? 

Para a professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em educação, Lynn Alves, embora a análise seja complexa, há mudanças claramente visíveis. Acompanhando o cenário do impacto tecnológico na formação dos jovens há mais de duas décadas, ela afirma que é possível apontar mudanças comportamentais, que foram intensificadas durante a pandemia, quando a mediação feita através de jogos ampliou espaços de criação e colaboração, especialmente entre esse público.

“A gente tem várias experiências com jogos e ambientes digitais. Apesar de todas as críticas, que são justas, e necessidade de regulação das plataformas, vale destacar que nesses espaços virtuais eles aprendem e desenvolvem diferentes habilidades, como a questão do planejamento, tomada de decisão, negociação, memória e flexibilidade cognitiva”, explica. 

A pesquisadora defende que os jogos eletrônicos podem funcionar como locais de aprendizado, propiciando o desenvolvimento de estruturas cognitivas, tanto em seus aspectos positivos quanto negativos, e fomentando habilidades de colaboração e cooperação. 

“Os jogos oferecem a oportunidade de transcender o papel de mero consumidor, estimulando a produção de narrativas. Considero que todos esses aspectos são importantes para o desenvolvimento individual. Neste processo, a mediação dos professores é crucial nesse contexto, especialmente no ambiente escolar”. 

Para ela, mais do que as plataformas em si, é preciso ter atenção sobre como esses espaços estão sendo utilizados. “Existem jogos que podem trazer conteúdos que não são saudáveis para as crianças, ligados à exploração e discursos de ódio, por exemplo. Isso tem sido um problema no universo digital, especialmente onde não existe um controle dos jogos que são desenvolvidos”, pontua. 

Esta, aliás, é uma preocupação constante da indústria de criadores no Brasil, compartilhada por Alves, que destaca a importância de ambientes interativos que possam contribuir para uma formação diversa, ampla, mas principalmente que não extrapolem os limites legais, morais e éticos. 

Para ela, existe um problema central, que está na necessidade de responsabilização por parte das grandes empresas do setor de tecnologia, as chamadas “big techs”, que precisam assumir papel mais ativo nesse processo, visando o bem-estar dos jovens que utilizam as ferramentas. 

Impacto tecnológico na formação dos jovens: importância do ECA e papel do Estado

Do ponto de vista da ação do Estado, a professora destaca o ECA digital, lei que entrou em vigor em março deste ano, e estabelece regras rígidas para o uso dessas ferramentas por menores de 18 anos, tendo como perspectiva, também, a questão do impacto tecnológico. O texto obriga as plataformas a verificarem a idade dos usuários (eliminando a autodeclaração), a implementar controle parental, proibir perfis de menores para fins comerciais e a remover conteúdos ilegais imediatamente, além de prever punição para as empresas que descumprirem essas determinações.  

“Um ponto importante nessa lei do ECA digital é exatamente não culpar apenas os pais. O papel deles é importante, mas existe um processo diverso para que se crie esse ambiente saudável, que une Estado , as big techs e as famílias, que precisam envolver e orientar os jovens. Não adiante dizer o que é certo e o que é errado, se eles são excluídos do processo. É preciso que eles entendam as razões pelas quais essas medidas estão sendo tomadas e acho que a escola tem papel fundamental nesse debate”. 

No fim das contas, a forma como a sociedade utiliza as ferramentas tecnológicas acaba por ter muito mais peso do que as plataformas em si. A decisão coletiva de construir cenários que beneficiem o desenvolvimento de crianças e adolescentes não passa apenas pelo ambiente onde meninos e meninas jogam, parte final do processo, mas é diretamente afetada pelo que os adultos, que constroem e disponibilizam essas mesmas ferramentas, decidem fazer com elas.

Até por isso, exemplos como o do Comunidades Virtuais, grupo acadêmico formado por pesquisadores que estuda este universo tecnológico e que já produziu mais de 15 jogos com finalidade educativa, e do relevante debate ético presente na comunidade de produtores de jogos eletrônicos na Bahia cresce em importância, criando um movimento coletivo que move esse ecossistema para um resultado que seja economicamente eficiente, mas também socialmente responsável. 

Para acompanhar mais sobre o impacto tecnológico na formação dos jovens e tudo sobre o Gamepólitan, maior festival de cultura lúdica e digital da Bahia, fique ligado em tudo o que aparece por aqui e nas nossas redes sociais.

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