O laboratório de jogos Black XP Woman Lab foca na formação prática de mulheres negras e indígenas (cis e trans), a partir de 16 anos, interessadas em desenvolver games digitais.
Quem analisa o mercado dos games eletrônicos, percebe com clareza que existe um déficit na participação de mulheres em todos os segmentos do ecossistema. Reduzir esse espaço é um dos objetivos do laboratório de jogos Black XP Woman Lab.
A ação, iniciativa da empresa Black XP, é voltada à formação prática de mulheres negras e indígenas (cis e trans), a partir de 16 anos, interessadas em desenvolver jogos digitais e atuar na indústria criativa e tecnológica.
Dados da BIND (Bahia Indie Game Developers ou Desenvolvedores de Games Independentes da Bahia) apontam que apenas 6,3% dos desenvolvedores de jogos na Bahia são mulheres.
“A gente tinha uma lacuna de atuação direcionada para um público de pessoas negras, pessoas indígenas do interior do estado. E a gente começou a nossa iniciativa justamente para mobilizar esse público e com um compromisso de direcionar vagas para as mulheres”, explica Tais Ribeiro, dona da empresa.

Uma das líderes do projeto, ela conta com mais duas pessoas responsáveis pela organização e produção: a relações públicas Priscila Mercia e a desenvolvedora Andressa Borges. “Além disso, temos oito professores de diferentes áreas do desenvolvimento de jogos e monetização e duas estagiárias”, completa.
Ribeiro aponta que os números indicam uma falha estrutural que precisa ser combatida, especialmente no que diz respeito ao acesso às ferramentas tecnológicas e a todo universo de possibilidades que eles podem trazer, especialmente para aqueles que têm acesso limitado a esses recursos.
“Atualmente, nas regiões Norte e Nordeste, o índice de quem tem acesso à formação profissional na área de tecnologia chega a ser inferior a 23%. Aí, quando os dados não são estratificados por raça, a gente tende a ter um percentual ainda menor”.
Laboratório de jogos: Black XP Woman Lab já teve quatro edições

O laboratório de jogos Black XP Woman Lab já teve quatro edições, que beneficiaram mais de 300 meninas que têm ou descobrem, ao longo do processo, o interesse pelo universo de desenvolvimento de jogos.
“A gente consegue dar protagonismo para pessoas negras e indígenas de uma forma geral e valorizando talentos que estão fora de um contexto de centralização”, diz Tais.
E os resultados já transformam vidas no presente e, claro, trazem nova perspectiva para o futuro de pessoas de camadas sociais e raciais que, geralmente, são relegadas a segundo plano e tem dificuldades de acesso à educação, mercado e autonomia financeira.
“A gente atua com um público muito específico, mas já tem tido excelentes resultados. No último edital de games que foi promovido pela Secretaria de Cultura da Bahia, a gente teve duas egressas, do interior do estado, que foram aprovadas e temos também um projeto de desenvolvimento de jogos, tudo isso por entendermos a importância do nosso trabalho para o amadurecimento da carreira de profissionais nessa área, focadas no nosso público”, conclui.
Laboratório de jogos: Gamepólitan contará com quatro áreas e espaço dedicado a desenvolvedores

O laboratório de jogos do Gamepólitan também funcionará como local para desenvolvedores e interessados no assunto. O evento apresentará espaços amplos e diversos entre si. Serão quatro áreas centrais, que poderão ser visitadas ao longo dos três dias de duração do festival: GP-EXPO, GP-DEV, GP-CUP e GP-BUSINESS. Funcionando de forma independente, mas sempre conectadas com a ideia central de fazer o visitante mergulhar no mundo digital e dos jogos.
A GP-DEV, seção focada nos desenvolvedores, trará Uma experiência completa na qual mercado e criação se encontram em um espaço dedicado a quem quer ir além e entender como o universo do entretenimento digital é construído.
Neste ambiente, equipes de desenvolvedores se reunirão para criar protótipos de jogos em um curto período de tempo, combinando arte, programação, design, narrativa e áudio, em um processo colaborativo. Haverá, ainda, oficinas especializadas na criação de jogos e mostra de produtos com curadoria focada na Bahia e região Nordeste.
Contudo, o universo de games não é visto apenas como diversão e entretenimento há muito tempo e o Gamepólitan prova isso na prática, até para os mais céticos. É possível jogar, se divertir, mas também fechar negócios, pois o mercado dos jogos gera renda, empregos e movimenta a economia.
Tudo isso e muito mais poderá ser visto no maior festival de cultura lúdica e digital da Bahia. Para ficar por dentro de tudo acesse o nosso site e acompanhe as nossas redes sociais.








0 Comentários